Turquia - 3° dia - Atravessando o Estreito de Dardanelos

Apesar de termos acordado muito cedo, pois nossa excursão saía às 7:10h da manhã, dormimos bem, porque deixamos o ar condicionado dos infernos desligado. Apesar de ser verão, as noites são frescas na Turquia.

Descemos para o lobby para fechar o nosso quarto e deixar nossas malas antes de tomar o que desse de café da manhã (levando em consideração que o café começava oficialmente às 7h, na teoria tínhamos só 10 minutos para comer, mas boa parte do buffet já estava exposto quando subimos para o terraço às 6:45, graças a deus!).

Encontramos novamente o casal simpático no café da manhã, para descobrirmos que pegaríamos o mesmo tour, por isso começamos a achar que o mesmo seria em português! Para mim isso seria ótimo, pois apesar de entender bem espanhol, não consigo dizer uma palavra nessa língua estranha, é só eu tentar falar alguma coisa, mesmo em portunhol, que sai francês. Complicado, né?

Eu e o Caike terminamos nosso café primeiro, e descemos para ver se o ônibus já tinha chegado. No lobby, uma baixinha de cabelos bem encaracolados e cor de fogo perguntava pelos brasileiros do hotel. Era a nossa guia, que, olha só, falava português! Confesso que fiquei aliviada. Subimos no ônibus, e como éramos uns dos primeiros a chegar, conseguimos um bom lugar lá na frente (eu enjoo muito fácil, então não posso ficar atrás nos ônibus, isso significa ter que chegar antes dos outros nos ônibus).

Depois de todos embarcarem no ônibus (inclusive o casal simpático), começamos nosso tour pelos hotéis de Istambul para catar todos os demais brasileiros que havia chegado com a gente dois dias antes, e mais alguns que ainda não havíamos conhecido.

Nossa guia era uma turca chamada Tina, ruiva-fogo de cachos tipo anjinho mas com estilo rebelde, olhos claros, mais baixa do que eu (assim considero pessoas que precisam de sapato plataforma para ficar da minha altura rsrsrs), muito simpática e fanática por pôr do sol (ela passaria os próximos dias dando dicas de onde ver o pôr do sol).

Ela começa o nosso tour dando dicas sobre Istambul (afinal, a maioria de nós voltaria para ficar mais alguns dias na cidade no final desse tour), e falando do aqueduto pelo qual passamos e que juramos que era a Lapa. Depois ela começou uma grande aula sobre a Turquia.

A Lapa em Istambul

Mapa da Turquia
A Turquia é um país que fica bem na divisa entre a Europa e a Ásia (pedi para liberarem meu cartão de crédito para os dois continentes por via das dúvidas), e tem 3% do seu território localizado na Europa, enquanto os outros 97% ficam na Ásia Menor, também conhecida como Anatólia. Istambul é a cidade que fica exatamente nessa divisa, e é a única cidade do mundo que pertence a dois continentes. A Anatólia foi berço/passagem/morada de diversas civilizações, entre elas os hititas, gregos, romanos e turcos. O nosso tour com a Tina incluiria muitas coisas interessantes de todas essas culturas!

E no nosso primeiro dia de viagem, fomos contornando o Mar de Marmara e passando pelos balneários frequentados pela galera de Istambul, algo parecido com Cabo Frio, só que sem areia nas praias e com aquele azul magnífico que só o Mediterrâneo tem (apesar da costa oeste da Turquia ser predominantemente do Mar Egeu, ele não deixa de ser uma continuação do Mediterrâneo, por isso tem a mesma cor, o Mar de Marmara também tem, apesar de ser bem menos salgado e de só se comunicar com o Egeu através do Estreito de Dardanelos).
Ao sair de Istambul vemos que a Turquia tem energia renovável!

Um dos principais produtos agrícolas do país: girassol!

Balneário com o Mar de Marmara ao fundo

Depois dessas primeiras explicações sobre a Turquia (que eu vou colocando aos poucos, senão fica chato e eu vou adiantar a viagem), fizemos uma "parada técnica", com direito a banheiro e lanchinho. Os banheiros na Turquia, na maioria dos lugares, são pagos, custa 1 lira turca para usar (equivalente a 1 real), mas são todos satisfatoriamente limpos (melhores do que de muito barzinho no Rio). Vale a pena guardar as suas moedinhas para essas ocasiões. Só tem que tomar cuidado para não pegar um banheiro turco (aquele que só tem um buraco no chão), que é complicado de usar.

Eu também aproveitei a parada para comprar umas besteirinhas para comer (coisas que chegaram em sua maioria intactas no Brasil, acredita? Só abri uma balinha de melancia deliciosa, que é igual ao Trident de melancia, mas que está até hoje na minha bolsa) e o Caike comprou um café com chocolate em lata da Nestlé que ele detestou, mas que eu achei aceitável, portanto, acabei bebendo o café todo.

Depois de uns 25 minutos voltamos para o ônibus, e a Tina, toda solícita, resolveu colocar o programa do Amauri Junior sobre a Turquia na TV do ônibus. Eu entendo a boa vontade dela, e ela foi muito simpática arranjando o vídeo, mas, sério, o Amauri é pura V.A. (vergonha alheia). Os comentários eram tão ruins que até o ônibus ficou com vergonha e o mapa pendurado no teto na frente da TV passou o dia inteiro caindo e tampando o programa.

Paramos para almoçar na cidade de Gelibolu, numa região conhecida como Galipoli, que foi palco de uma das batalhas mais sangrentas da Primeira Guerra Mundial, e foi justamente nessa batalha que o futuro fundador da Turquia moderna, Ataturk, fez fama como militar. Falarei mais dele nos próximos posts. Fomos todos a um restaurante do lado do porto onde pegaríamos uma barca para atravessar o Estreito de Dardanelos, saindo da Europa e indo, pela primeira vez na nossa viagem, para a Ásia!

Mapa do Estreito de Dardanelos com os lugares por onde passamos!

Uma das barcas vista do restaurante
O restaurante era muito interessante, você montava o prato escolhendo a carne e os acompanhamentos, sendo que cada item tinha um preço fixo. Eu e o Caike achamos que era melhor montar o nosso prato dividindo os acompanhamentos, pois eles eram bem servidos, e assim teríamos mais variedade por um preço mais em conta. Escolhemos também um peixe que lembrava badejo, mas que tinha um nome impronunciável. Pedimos de acompanhamento uma salada, com tomate e pepino, arroz branco e berinjela (que vinha com uma pimenta verde imensa que não dava para comer, o Caike tentou e quase passou mal). O peixe demorou séculos para chegar (já tínhamos comido quase todo o acompanhamento), mas valeu a pena a espera, porque estava divino! Derretendo como manteiga na boca...
Nós no restaurante interessante, com direito a almoço ao lado do mar...

Os acompanhamentos sem a pimenta bizarra

O peixe maravilhoso!
Depois do almoço, voltamos ao ônibus para ele poder entrar na barca que nos levaria para Lapseki, do outro lado do Dardanelos. A viagem durou 25 minutos de muito vento e um sol delicioso, que muita gente evitou, ficando na parte fechada do barco, que tinha uma área com cadeiras para os passageiros aproveitarem a vista durante a travessia. Uma delícia :-)

Pescadores

Os carros e o nosso ônibus dentro da barca

Solzinho gostoso...

Ventava tanto que até o meu curtinho ficou bagunçado!
Chegando na Ásia fomos visitar o sítio arqueológico de Troia, que realmente existe! É bem destruído comparado com outros sítios arqueológicos da Turquia, mas vale a visita! Primeiro você descobre que foi um alemão maluco que descobriu a localização de Troia, e isso porque ele era fanboy do Homero e da Ilíada. Apesar de ter nascido pobre, ele cresceu ouvindo essas histórias da Ilíada, e quando ele cresceu e ficou rico, ele se casou com uma grega, Sofia (fanatismo em níveis épicos, gente), e resolveu largar as suas empresas nas mãos de administradores e ir para a Turquia catar Troia, só com o livro de Homero nas mãos. Daí você vê que Homero era bom, porque o alemão achou a cidade, mesmo com ela não estando mais na costa, por conta de séculos de terremotos que aterraram o mar.
Na entrada do sítio arqueológico não podia faltar um cavalo!

O que restou da entrada de Troia II

Um poço de Troia 1

Nossa guia de cabelos de fogo mostrando a muralha de Troia VII
Parece um teatro, mas é um bouleuterion, local onde se realizavam as assembleias populares
Então ele bancou a escavação de Troia, e na sua avidez por encontrar o tesouro de Helena, acabou fazendo alguns estragos na cidade histórica. Pois não há uma Troia, são 9 Troias! Uma construída em cima da outra, e destruídas por terremotos ou incêndios. A Troia de Homero é a n° 6! E realmente nessa época a cidade participou de uma guerra contra os gregos e perdeu, portanto a cidade n° 7 já é grega.
As camadas sobrepostas das Troias
Voltando ao Alemão, ele, ao tentar achar o tal tesouro, acabou fazendo estragos em algumas construções importantes e deixando impossível diferenciar as camadas por onde ele passou, mas ele foi recompensado mesmo assim, pois ele achou o tal tesouro! Arqueólogos posteriormente negaram que o tal tesouro pudesse ser de Helena, pois os testes o dataram como sendo anterior a Troia n° 6, mas fanboy como ele era ele nunca acreditou nisso. E pior, ficou tão fascinado com a sua descoberta, que após fotografar Sofia (a sua própria Helena grega) coberta pelo tesouro, ele fugiu de volta para a Alemanha com ele. O governo turco tentou recuperar o tesouro após a Segunda Guerra Mundial, mas nessa época ele já havia desaparecido da Alemanha, roubado pelos sovietes. As jóias hoje estão na Rússia.

O estrago do alemão. Tudo o que se vê ao fundo era mar!

O tesouro encontrado pelo alemão, que foi datado como sendo de Troia II, e sua esposa Sofia usando as jóias
Depois de todo esse drama, fomos para a cidade mais próxima, Çanakkale, onde ficamos hospedados no Hotel Kolin. O hotel era muito bonito, mas muita coisa era só aparência, pois os elevadores tinham problemas crônicos de não guardarem os andares apertados, ele parava no próximo andar e simplesmente apagava os demais solicitados. Teve gente fazendo longas viagens até o quarto. E isso nos elevadores que estavam funcionando! Tinha elevador parado também. Acabamos por usar o de serviço, que pelo menos funcionava.
Dentro do hotel chiquetoso
A vista do quarto era desbundante, dando para uma baía linda com aquele azul! Como era cedo, e o sol se punha muito tarde, fomos direto para a piscina (e novamente vimos que o hotel tinha muito mais aparência do que qualidade... áreas fechadas sem explicação, o sistema de toalhas era largado, e havia poucas placas indicando o caminho das coisas - caminhos que não estivessem fechados). A tarde estava linda e quente, mas a piscina estava estupidamente gelada. Nem o Caike conseguiu entrar, segundo ele por causa do vento, que realmente era muito forte e contínuo.

A vista do quarto

Piscina impossível de entrar
Depois fomos dar uma olhada na "praia", que era de concreto, mas o mar tinha aquele azul... então tomamos um banho rápido e corremos para o supermercado que tinha em frente ao hotel, e valeu muito a pena! Pois a água que custava 4 liras turcas no quarto, saiu por 25 kuros (centavos). Procuramos também um redbull para o Caike, mas não eles não vendiam a latinha separada, apenas aquelas caixas imensas.
Praia de concreto
Saímos do supermercado (com as águas na mochila, porque era proibido entrar com elas no hotel, claro) e fomos direto assistir ao pôr-do-sol, indicação da Tina, claro. O sol se pôs era 20:30h, e apesar de ter sido mesmo um espetáculo lindo e romântico, estávamos com fome. Então fomos jantar.

Realmente imperdível :-)

O buffet do hotel tinha a mesma característica: a cara era linda, mas a qualidade... as saladas eram mesmo boas, mas as carnes e pratos quentes eram ruinzinhos. Mas além das saladas, tinha uma espécie de quentão sem álcool, muito gostoso, e as sobremesas... uau! Comi de tudo um pouquinho! Uma marmelada estranha que eu acho que era de abóbora, um tipo de manjar de canela, um doce esquisitíssimo de pistache, mas que era muito gostoso, um outro doce de mix de castanhas (o melhor deles) e, por fim, um tipo de pudim libanês, só que sem água de rosas e com avelã (em outras palavras, sem graça).

As sobremesas! Em cima à esquerda o mix de castanhas, do lado, o pudim. No prato a "marmelada", o doce de canela e o esquisitinho de pistache.
E depois dessa maratona, o jetlag nos pegou de vez, e fomos dormir... o dia seguinte também prometia!

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